terça-feira, 19 de setembro de 2017

Doidim por toicim


Quando fui passar um final de semana em Viçosa do Ceará, o nosso anfitrião Humberto Pinho logo advertiu ao folclórico Hildo – assim batizado em homenagem ao Dr. Hildo Pinho – que não me pedisse dinheiro.

Ora, já no primeiro dia, cedo da manhã, quando fui pegar um ar na calçada da casa, Hildo foi logo me pedindo um real pra comprar toicinho. Entretanto, ele não contava com a inesperada chegada de Humbertinho, que surgiu na sua retaguarda já balançando a cabeça em sinal de censura. Ali, pego em flagrante, Hildo disparou: - “Diz aí, Humbertim, eu não sou doidim por toicim?!”

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Os números mentem


Além de inventar números inexistentes, o criativo Agamenon está escrevendo “Como Mentir e Inventar Estatísticas”, um livro de fazer corar qualquer instituto de pesquisa aplicada. 

Gaba-se Agamenon, metido a marqueteiro e na maior naturalidade do mundo, que tudo o que criou até hoje foi de acordo com os caprichos dos discursos de seus chefes políticos. Porém, pelo menos em uma das municipalidades que prestava assessoria e consultoria, ele aloprou nos números, ao garantir que a taxa de alfabetização do município era de 110%! 

Pois é, se a cartomante diz que “as cartas não mentem jamais”, o mesmo assegura Agamenon com as suas fidedignas pesquisas e seus extraordinários números! E segreda: “Como qualquer pessoa cuidadosa sabe, as estatísticas podem ser bem difíceis de interpretar se você não tiver um conhecimento prévio. Então, para fabricar estatísticas enganosas e usar essa ciência, existem três modelos de mentir: usando as médias; usando conjuntos de dados; e utilizando gráficos. Agora, se você quiser convencer alguém de algo absurdo, coloque um número, pois eles desligam nossas faculdades críticas. E tem mais, essa mentira pode até  prêmio para a prefeitura do lugar!” 

A quem interessar possa, Agamenon não tem planos de se aposentar.

domingo, 17 de setembro de 2017

Sobralidade


Lendo sobre o relançamento do livro “O Cearense”, de Parsifal Barroso, lembrei que a expressão “sobralidade” foi cunhada pelo ex-governador, para exprimir o sentimento de amor e compromisso à cidade de Sobral.

sábado, 16 de setembro de 2017

Sobre pressa

“Me perdoe a pressa, / é a alma dos nossos negócios / Oh! Não tem de quê, / eu também só ando a cem...”, na voz de Raimundo Fagner, tocava no rádio a canção “Sinal Fechado”, de Paulinho da Viola. 

Aí, lembrei de uma passagem em que diante da necessidade súbita de fazer alguma coisa urgente, Napoleão Bonaparte haveria dito: - "Devagar, que eu tenho pressa." 

Já, José Saramago sentenciou: - “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.”

Por fim, contou Toim da Meruoca: - “De tão apressada, a pressa perdeu um ‘esse’ e virou presa!” 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Super-Homem


Atingido, de cheio, com uma pedrada de kyptonita atirada por uma possante baladeira cósmica que pegou bem na titela, da cidade norte-americana de Metropolis, o fuleiro Super-Homem capou o gato e veio voando bater em Fortaleza para escapar dos vilões Lex Luthor e Dr. Octopus.

Aqui, pegou uma chikungunya, ficou com a espinhela caída e, se queimando de febre, com os teréns murchos.

Dizem que, quando ficar bom, ele vai tentar a sorte pastorando carro na feira da Zé Avelino.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tempo do rádio


Teve um tempo em que o rádio reinava nas comunicações e entretenimento de qualquer lugar do mundo. 

Em Fortaleza, lembro que na casa do meu avô Miguel, na Rua Visconde Saboya, tinha um ambiente especial em que entre duas confortáveis e estilosas cadeiras de balanço – daquelas de madeira e palhinha – havia encostada na parede uma mesa para o aparelho de rádio Semp à válvula. 

Até a televisão chegar, era o lugar onde ele e Vovó Marianna se atualizavam das notícias, assistiam aos programas de auditório e ouviam um pouco de música.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tratamento afetivo


Conta “seu” Sebastião, residente do distrito de Arisco dos Marianos, em Ocara, no interior do Ceará, que na relação matrimonial de seu vizinho, o tratamento afetivo com a esposa sempre foi baseado em bichos e, ao longo do tempo, eles foram aumentando de tamanho. 

E diz: - “Quando era bem novinha, ele chamava ela de ‘gatinha’. Depois, era de ‘cabritinha’... Aí o tempo foi passando, passando, e ele passou a chamar de ‘onça’, ‘anta’, ‘jumenta’, ‘égua’, ‘vaca’ e ‘baleia’! É, um cabra desse, sem-vergonha, por não saber tratar direito a mulher, merecia ser muito era corno!”

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Uma língua

Da esquerda pra direita: Totonho, Guto, Valéria, Edgar e Gera.

No início dos anos 70 eu acompanhei o Guto Benevides, Gera Teixeira e Edgar Macedo em uma entrevista para o bem-conceituado “Tabloide TC”, com o travesti Valéria, que se hospedava no Hotel Beira Mar, por conta de um show que iria apresentar em Fortaleza. 

Nas décadas de 60 e 70, admiradas pelo público em geral, Valéria, Rogéria e tantas outras eram artistas respeitadas no Brasil, sendo comumente convidadas a participar de programas de televisão. 

Pois bem, mal iniciou, o tom do entrevista já apimentou. E lá pelas tantas, quando chegou a hora do pingue-pongue, o Guto falou para Valéria “uma língua” e ela, de pronto, citou: - “A que os antigos usavam pra falar.“ 

Sobre Valéria, soube que depois ela se mudou para Paris, onde fez sucesso como estrela de clubes noturnos. Matrimoniou-se com um endinheirado que veio a ser sócio de uma conhecida rede hoteleira e, por conta disso, acabou indo morar em Salvador no final dos anos 90. 

(Foto: Tabloide TC)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Arte!

video

É por isso que digo e repito: Se Deus é Pai, a Arte é Mãe e nos torna irmãos na prática do bem!

Papo de futebol

À José Rebouças Neto.

Ney Rebouças.

Aconteceu no início dos anos 80.

Castor de Andrade, presidente do Bangu Atlético Clube, veio do Rio de Janeiro para tratar de um assunto futebolístico com Ney Rebouças, presidente do Fortaleza Esporte Clube. A reunião se deu em uma famosa peixada da Avenida Beira Mar. 

Logo aos cinco minutos do primeiro tempo de conversa, Castor revelou a razão de sua vinda à Fortaleza: seu interesse pela compra do jogador Luizinho das Arábias, que estava “arrebentando” no campeonato cearense. 

Ney, que naquela época havia formado um time chamado de “Seleção do Nordeste”, olhou nos olhos de Castor e falou: - “Olha, Castor, pra lhe falar a verdade, estou surpreso! Eu achava que você havia vindo aqui para me oferecer o Arturzinho!” 

Em tempo: O craque Arturzinho era o principal jogador do Bangu.

domingo, 10 de setembro de 2017

Ver so

Totonho Laprovitera - Três inspirações - 2016 - Nanquim sobre papel.

Ver so 
(Totonho Laprovitera)

O que une o verso 
universo me é 
na rede, poesia 
a embalar 
meu canto, 
no canto da casa
canção se faz 

Ave canora 
a voejar 
no farol do tempo 
breve e infinito, 
em todos os céus, 
com todas as letras
dos ares do mar

Pensando bem...

sábado, 9 de setembro de 2017

1a. Feira do Livro de Sobral

Yves Gurgel, secretário Inácio Ribeiro, Totonho Laprovitera e Margarida Melo.

Como autor convidado, eu participarei da "1a. Feira do Livro de Sobral", que acontecerá nos dias 7, 8 e 9/11/2017, no Centro de Convenções de Sobral.

No evento, autografarei o "De Primeiro", livro de minha autoria, e realizarei palestra sobre as expressões de meu itinerário artístico.

A "1a. Feira do Livro de Sobral" é uma realização da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Sobral. 

(Foto: Antonia Carneiro)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Lauto almoço


Já haviam inteirado alguns meses de Fortaleza, quando Rosália e Dedé, vindas do interior, foram à batalha na capital alencarina. 

Emperequetadas, exageradamente perfumadas e com os cabelos arrumados à touca, mascando chiclete americano, as duas foram bater perna na Avenida Beira Mar. 

O relógio marcava umas quatro horas da tarde, quando deram fé, um prateado Corcel II, placa de Recife, parou ao lado delas. Puxando conversa com a espilicute dupla, dois bem aparentados jovens pernambucanos se apresentaram, e não tardou o convite para irem almoçar em algum bom restaurante da cidade. Encantada, Rosália piscou os olhos, deu aquela quebrada de asa com o pescoço, e falou para Dedé: 

- Mulher, que tal da gente ir ao restaurante do Nélson? 
- Ah, lá a cozinha é maravilhosa e o ambiente chique que só. Respondeu Dedé. 
- Então, vamos logo pra lá, que estamos famintos! Disse um dos jovens pernambucanos. 
- Vamos logo, e vocês são nossas convidadas! Completou o outro. 

De imediato, as garotas aceitaram o convite e se mandaram para o restaurante “Terrace Grill”, onde, ao chegarem, se mostrando, foram logo pedindo ao garçom da casa – pelo nome – uma bem posicionada mesa. 

Bem abancados, com fartura, a dupla pernambucana começou a pedir drinques e diversas entradas. Era tanta abundância, chega rindo Rosália comentou: - “Meninos, vamos com calma, senão, desse jeito, a gente não vai aguentar almoçar, nem jantar...”

Conversa vai, conversa vem, os papos dos dois deixaram as meninas arreadas dos quatro pneus e mais o sobresselente. Aí, decidiram almoçar. Coincidência ou não, o quarteto pediu o que havia de mais caro no cardápio. Chegados os pratos, cada comensal se empanturrou com as delícias das comidas. 

- Um legítimo manjar dos deuses! Disse um.
- Uma iguaria supimpa! Disse o outro. 
- Uma delícia! Tanto a mistura, quanto a guarnição, estavam dez! Disse uma. 
- Respeite a boia! Só o pitéu! Disse a outra. 

Fartos, educadamente, os rapazes perguntaram se as moças estavam satisfeitas. Bastadas, então, solicitaram ao garçom sobremesa e cafezinho. Enquanto aguardavam, os dois pediram licença e foram ao toalete. 

- Mulher, mas que achado esses dois, hein! Disse uma.
- Pois não é, nem parecem os fuleragens daqui, né? Rapazes bonitos, educados e, pelo visto, bamburrados! Disse a outra. 

Mas, o tempo foi passando, passando, e os dois demorando a voltar à mesa. 

- Mulher, será que aconteceu alguma coisa? Disse uma. 
- Será que a comida fez mal e tão com dor de barriga? Disse a outra.
- Também, só faltaram se empanzinar. 
- Ora, deixa, os bichinhos estavam era com fome... 

Diante da prolongada ausência dos dois, Rosália e Dedé solicitaram ao garçom que verificasse o que estava acontecendo no toalete. O garçom foi, voltou e disse que eles não estavam lá. Chamado o maître, a falta dos dois foi esclarecida.

- Senhoritas, perdoem-me, é que nós não queríamos estragar a surpresa, mas os dois distintos cavalheiros já foram embora. Despediram-se elogiando bastante a cozinha e o serviço da casa, desculpando-se pela imprevista retirada, pois iam buscar a mãezinha de vocês no aeroporto, que estará chegando de Belém do Pará, para a festa de aniversário de 90 anos da avó, matriarca da família. E tem mais, disseram que haviam deixado com as moças o valor da conta, em espécie, e que o valor da gorjeta seria de 20%! 
- Ah, cabras sem-vergonhas mentirosos! Disse uma.
- Xexeiros, isso, sim! Disse a outra.

Resumindo, raspando todas as suas preciosas reservas, Rosália e Dedé tiveram que pagar a conta! Indo e voltando, conferiram a dolorosa e a comissão foi mesmo de 10%, e olhe lá!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O entrevero


A dor de dente não passava e era medonha. Ora, abocanhando uma roceira cocada, uma felpa da quenga se enfiou bem dentro do buraco do molar cariado de Delcídeo. Sem remédio, pediu perfume à namorada Vilma para ver se aquela agonia passava e nada... 

Mesmo assim, o casal decidiu ir com uma turma danada assistir ao desfile da tão esperada micareta da cidade. O programa era arrumado e com direito a estarem no suntuoso e aconchegante camarote da prefeitura. Porém, para agradar as autoridades presentes, o alegre cafetão do lugar mandou um lote de formosas donzelas para animar o ambiente. 

Roída, Vilma teve uma crise de ciúmes e passou a repreender Delcídeo que, com espantosa gentileza, desfechou: - “Vilminha, por obséquio, vá cagar no mato, vá!” Vilma não foi e passou a noite toda choramingando a grosseria do indelicado namorado.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Recado para o além


Assistindo ao filme “Baarìa – A Porta do Vento”, do cineasta italiano Giuseppe Tornatore, lembrei que pelo sertão nordestino também havia o costume de se passar recados para os mortos, no além, por alguém que estivesse à beira da morte ou mesmo já defuntado, no velório.

Contou-me Levi, que um tio dele agonizava no hospital, todo entubado e sobrevivendo por meio de vários aparelhos, quando lhe chegou uma sobrinha – coroa de idade indefinida, muito perfumada, com as rugas rebocadas de base, emperequetada com um justíssimo e bem curto vestido dourado ressaltando seus abundantes seios, a cintura grossa e a bunda murcha – em movimentos frouxos. Famosa por ser uma agourenta rasga-mortalha, não perdeu tempo, carimbou a testa do velho com um beijo de espalhafatoso batom encarnado e foi logo pedindo o seguinte obséquio: - “Titiozinho querido, diga pro paizinho que a nossa casa da praça eu reformei, pintei todinha de azul e botei pra alugar. Agora, fale pra mãezinha que eu perdi quinze quilos e duzentos gramas, pintei os cabelos de louro, dei entrada na minha aposentadoria...” 

Aí, não sei de onde o ofegante tio tirou forças, mas desatou uma das encarquilhadas mãos, esticou o dedo polegar, dobrou o indicador, o anelar e o mínimo, arregaçou o médio, e deu-lhe um baita de um trêmulo cotoco!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Sapatos


Eu estava para viajar e decidi separar a maioria dos meus sapatos – não eram tantos – para engraxar, durante a minha ausência. Daí, reuni-os em um grande saco plástico para o engraxate Chico pegá-los e realizar os serviços, lá em casa mesmo. 

Ao mesmo tempo, organizando as coisas do lar, minha mulher Elusa decidiu escolher algumas coisas que nos sobravam e doar para o projeto Emaús, que organiza com moradores da comunidade a coleta, reciclagem e venda de objetos usados, em bazares. 

Pois bem, deixando as devidas orientações com a nossa então colaboradora Ceiça, viajamos tranquilos. 

Passados alguns dias, retornamos e, puxando conversa, perguntei à Ceiça sobre os meus sapatos e, para espanto meu, ela respondeu: - “Ah, o Emaús levou junto com as coisas que a dona Elusa separou!” 

Surpreso, falei pra ela que aqueles sapatos não eram para doação, pois ainda estavam novos e me serviam. Ela, aflita, perguntou se eu queria que ela ligasse para o Emaús e reaver os sapatos. Eu, em momento de pleno desprendimento, matutei e falei: - “Não, Ceiça, deixa por lá mesmo. Alguém deve estar precisando mais do que eu. 

E assim, segui a vida, calçando o que me restou e me foi mais do que suficiente: um par de tênis, um de sapato e outro de chinela japonesa.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Toalete de avião


Era a primeira vez que Arquelau viajava de avião, portanto, o seu traquejo na aeronave era zero! 

Pois bem, de tão insólito, esse feito de Arquelau entrou para o folclórico repertório do Bar do Carcará, lá pelas bandas da Estrada da Serrinha. 

E, contada por ele, a história é a seguinte: “Eu nunca tinha andado de asa dura. Aí, pra não bancar o abestado e o povo ficar mangando, fiquei só reparando como era que os outros faziam. Antes de arribar, a aeromoça começou a dizer isso e aquilo, num sei o que o que, com um pedaço de cinto na mão. Depois, pegou um copim de matéria plástica com um elástico e botou na cara. Pense numa marmota! 

Pois bem, quando o avião já tava pra avoar, ela chegou pra mim e perguntou se eu tava com o cinto amarrado, coisa e tal, e eu, todo destreinado, matutei: ‘Essa alma quer reza...’

Assim que o bicho pegou carreira e arribou, me deu um frio lascado no espinhaço! Eu fechei os olhos e disse: ‘Valei, meu Padim Ciço, seja o que Deus quiser!” 

Depois, a coisa serenou e eu fui ficando mais tranquilo. Me ofereceram um refresco numa caixinha, uns biscoitim sem graça, e eu só botando pra dentro. Quando já tava em tempo de me empanzinar, me bateu aquela vontade de ir pro banheiro pra verter água. E foi a minha zebra, pois pense num bicho apertado é banheiro de avião! 

Pra não sujar o chão, caí na besteira de mijar sentado. Aí, já que eu tava acocorado mesmo, mudei um pouco de ideia e passei pro número dois. Acabado o serviço, bem aliviado, nem me dei o trabalho de me levantar da sentina pra dar descarga. Taquei o dedo no botão e aí sucedeu a minha desgraça! Um vento dos inferno chupou foi tudo com os meus zovo junto! Apavorado, eu agarrei nos couro dos terém até onde pude. Deu certo, mas os bicho voltaram feito baladeira dos diacho, com mais de mil, e quando estalaram na beirada do boga, salpicou bosta pra tudo quanto foi canto! Chaupiscou as parede toda! 

Encalistrado, pra me limpar, acabei com o estoque do papel higiênico e ainda usei a minha samba-canção pra dar vencimento no limpamento do reservado. 

Na volta pra minha cadeira, o povo era só espiando pra mim e reclamando da catinga. Quando me assentei no meu lugar, Zefinha, minha santa patroa, frescou: ‘Já tá inventando moda, né, Arquelau? Vai chegar em São Paulo de sarda, é?”

domingo, 3 de setembro de 2017

Bicho


Apadrinhado pelo Bispo, o sacristão era meio tolo. Desde o início de sua formação religiosa, já se mostrava diferenciado. Uma vez, ao ser avaliado em arguição verbal, corrigido por não saber identificar a imagem de São Luiz Gonzaga, ele glosou: - “Lá vai, e quede a sanfona?!”

Outra vez, quando ajudava a Missa, bem na hora da Consagração, um besouro deu um rasante pela nave da igreja e foi cair ao pé do altar. Aí, o Bispo ordenou: - “Sacristão, mate o bicho!” 

Ora, o sacristão tomou o cálice das mãos do celebrante e, goela abaixo, entornou de vez o vinho todinho!

sábado, 2 de setembro de 2017

Barreira!


Meu amigo Ricardo Lincoln Barreira me contou que estava na Feira da Parangaba, parado, na maior desatenção defronte a uma banca, quando começou a escutar alguém repetidamente gritar: - "Barreira! Barreira! Barreira!" 

Pois bem, achando que era alguém lhe chamando, o Barreirinha só fazia olhar, até o feirante lhe falar: - "Ei, o senhor tá fazendo barreira e atrapalhando a venda!"

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Conversa pra bode dormir


Se tinha uma coisa que Capitão Arrocha não abria mão era a de, habitualmente, ir ao Museu do Ceará trajado de cangaceiro para bater papo com o empalhado Bode Ioiô, um famoso caprino que zanzava pelas ruas centrais da cidade de Fortaleza na década de 20 do século passado, quando, comumente, era visto na companhia de boêmios e escritores que lhe davam cachaça para beber nos bares e cafés ao redor da Praça do Ferreira. 

Pois bem, Capitão segredou aos amigos Darazi – talentoso fotógrafo de luminosas imagens – e Caçula – virtuoso músico de sete instrumentos – que, desde menino véi, possuía a sobrenatural faculdade de falar com bichos, mesmo com os mortos. Dizia que passava horas a fio assuntando sobre curiosidades que eles revelavam acerca de suas vivências reais e das histórias criadas pelo imaginário popular. 

Curiosamente, em 1996, Bode Ioiô teve o seu rabo surrupiado. Sobre o assunto, Capitão Arrocha ousou indagar ao folclórico Ioiô e ele o teria respondido: - “Espia, amigo, eu não tenho meu rabo pra fuxico, não!”

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A virada


De alma andante e espírito curumim, em sonho, em um instante de encantamento com a constelação Setestrelo, o índio Alitá recebeu um divino chamamento para proteger os bichos do árido sertão cearense.

Aí, ele decidiu mudar de vida e foi viver em uma velha oca distante e abandonada, lá pelos cafundós do Vale do Jaguaribe. Porém, chegando ao seu destino, o bom índio assombrou-se ao ver que o lugar era refúgio de um bando de temidos cangaceiros. Para escapar de algum mordaz corretivo pela involuntária intromissão, tornou-se um deles e, pelo seu forte aperto de mão, virou o Capitão Arrocha.

Mas, não se adaptando ao modo de viver dos cangaceiros, batendo-lhe uma saudade medonha na calada da serena madrugada, Capitão Arrocha arrumou as trouxas e “capou o gato” de volta para o Mucuripe. Porém, arredio ao passar dos tempos, ao chegar encontrou uma Fortaleza crescida. Adotando os costumes locais, trajou-se de linho branco, assentou um chapéu de palha de carnaúba com longas abas no quengo e misturou-se com personagens típicos da cidade como Cabeção, Chagas dos Carneiros, Cheira-Dedo, Manezinho do Bispo, Mimosa e Zé Lapada.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A arte é mãe


Se Deus é pai, a arte é mãe. Assim, tornamo-nos irmãos e, em ação de solidariedade, praticamos o bem. 

Feliz por participar da exposição de arte beneficente com artistas cearenses, a favor do IBLF – Instituto Beatriz e Lauro Fiuza, para a manutenção das atividades com 600 crianças e adolescentes em situação de risco.

(Foto: Camila Lima)

Conchas de Fortaleza


Reza a lenda que o índio Alitá, pescador de uma pequena tribo do Mucuripe, há muito tempo cultivou o costume de presentear os bons visitantes com conchas encontradas à beira mar, em Fortaleza. 

Alitá acreditava que a concha tinha o poder de trazer o visitante de volta ao lugar para devolvê-la ao mar a que pertencia. Sendo devolvida, ele presenteava o visitante com uma outra concha e desse modo estabelecia um ciclo de infindáveis visitas. 

Acredita-se que esse seja um dos princípios do cearense ser chamado de povo hospitaleiro.